Objetivos estratégicos que contribuem para a
“Sociedade do Conhecimento”
O planeta exige um pensamento policêntrico capaz de apontar o
universalismo, não abstrato, mas consciente da unidade/diversidade da condição humana; um pensamento
policêntrico nutrido das culturas do mundo. Educar para este pensamento é a finalidade
da educação do futuro, que deve trabalhar na era planetária, para a identidade
e a consciência terrenas.
(Morin,1921: 64-65)
Vivenciamos nos
dias de hoje uma série de mudanças paradigmáticas, tanto do ponto de vista sociocultural
como económico, tecnológico, científico, entre outros.
A educação,
como pilar fundamental e indissociável nesta mudança tem naturalmente que saber
articular-se com esta sociedade em permanente transformação e evolução.
Todavia, o (s) sistema (s) educativo (s), os seus colaboradores e a comunidade
educativa em geral, não podem nem devem, limitar-se apenas a acompanhar este
processo evolutivo mas, e sobretudo devem ser os impulsionadores deste
desenvolvimento, tendo como atores centrais, o indivíduo e a sua inclusão e formação
integral, nesta nova sociedade multicultural, denominada de “sociedade do
conhecimento”, aliás, a reforçar esta ideia, o Conselho Europeu sublinha que o “maior triunfo da Europa são as pessoas” (Jornal Oficial da UE de 18.12.2006),
ou seja, as pessoas é que ditam de acordo com os seus conhecimentos,
competências, capacidades, necessidades e ambições, o rumo do futuro. Neste sentido, as estratégias
de Lisboa na modernização dos Sistemas Educativos foram: 1- “Melhorar a qualidade
e a eficácia dos sistemas de educação e formação na EU; 2- Facilitar o acesso
de todos aos Sistemas de Educação e Formação dos Professores e Formadores; 3-Abrir
ao mundo exterior os Sistemas de Educação e Formação” (Jornal Oficial das
Comunidades Europeias de 14.06.2002).
Para sobreviver
nesta sociedade, o indivíduo precisa de ter acesso ao conhecimento. A educação é
a via que irá fornecer as ferramentas adequadas para (re) conhecer este
conhecimento e acreditar, que é na educação e pela educação, que pode investir estrategicamente
em si e na sociedade em que está inserido e da qual faz parte integrante. Traçar
o seu projeto de vida e ser o autor da sua própria história, não é apenas um
passo gigantesco de evolução pessoal como, denota acima de tudo, que a educação
funciona de forma participativa, construtiva e inovadora quando é aplicada uma
educação inclusiva e personalizada e se investe no desenvolvimento de
competências e qualificações através do triângulo do conhecimento: Educação – Investigação
– Inovação e, quando as pessoas tem acesso igualitário ao conhecimento, através
do acesso a ambientes de aprendizagem formais, informais e não formais. Cada
vez mais a aprendizagem através de ambientes diversificados é uma mais-valia
para o ensino/aprendizagem e contribui para o decréscimo do insucesso escolar.
Presentemente é imprescindível tornar o ensino/aprendizagem significativo para
que despolete a necessidade e a curiosidade de aprender, fomente o diálogo como
forma de integração e interação, possibilite o desenvolvimento adequado e
necessário do raciocínio lógico e da iniciativa, assim como a possibilidade de
exercitar uma cidadania plena e consciente dos deveres e direitos. Porém, esta
aprendizagem só é possível na opinião de Delors se “ (…) melhorar o
recrutamento, a formação, o estatuto social e as condições de trabalho dos
professores, pois estes só poderão responder ao que deles se espera se
possuírem os conhecimentos e as competências, as qualidades pessoais, as
possibilidades profissionais e a motivação requeridas” (1996:153) a este
investimento, no sentido de melhorar a qualidade da educação e formação dos
professores e formadores está implícito a necessidade de atualização e adesão
às novas tecnologias, na medida em que estas conquistaram o público em geral e
de uma forma muito particular, a nova geração. Por outro lado, oferecem um campo
vasto de potencialidades suscetíveis de exploração em diversas áreas da
sociedade e de uma forma muito particular, na área da educação.
Na opinião de Delors,
as sociedades de informação são “ (…) um duplo desafio para a democracia e para
a educação”, (…) Contudo, deve se manter sempre o princípio de igualdade de
oportunidades” (1996:66) para todos os intervenientes no processo educativo, mas de uma forma muito particular, o público alvo de intervenção, nomeadamente os alunos.
Nota-se
uma grande evolução nos ambientes de aprendizagem que têm como suporte didático
as TIC. Este instrumento pedagógico funciona como um auxiliar na área de
novos conhecimentos e de consolidação de outros, assim como propicia a aprendizagem
de uma visão crítica sobre o conhecimento, o desenvolvimento do pensamento reflexivo e dedutivo,
a capacidade de aprender a conhecer conhecendo e a inovar através da pesquisa e da exploração que as
várias ferramentas digitais facultam, como instrumentos pedagógicos em constante
atualização. Atualmente, não se concebe o ensino/aprendizagem sem a introdução das
TIC como auxiliar pedagógico de consulta diária e/ou de utilização, da mesma
forma e com a mesma naturalidade e frequência, com a qual, se manuseia uma
ferramenta didática em suporte papel ou outro material adequado para o processo
de ensino/aprendizagem.
Bibliografia consultada:
-Delors, J. (1996). Educação
um Tesouro a Descobrir Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre
a Educação para o Séc. XXI. Porto: Edições ASA.
-Morin, E. (1921). Os sete saberes necessários à educação
do futuro. São Paulo : Cortez ; Brasília, DF : UNESCO, 2000.
- Conselho Nacional da Educação, “Estado
da Educação 2013”.
- Jornal Oficial da União Europeia.
“Recomendações do Parlamento Europeu e do Conselho de 18 de dezembro de 2006
sobre as competências essenciais para a aprendizagem ao longo da vida”
Jornal Oficial das Comunidades
Europeias.2002,"Programa de trabalho pormenorizado sobre o seguimento dos
objectivos dos sistemas de educação e de formação na Europa".
Ramos, Conceição Castro. "Estratégia de Lisboa - Programa de Trabalho "Educação e
Ramos, Conceição Castro. "Estratégia de Lisboa - Programa de Trabalho "Educação e
Formação 2010”.
