Traços dominantes dos sistemas educativos europeus.
Nos
dias de hoje temos uma melhor e maior perceção do que se passa por todo o
planeta, em boa parte, à rápida evolução das TIC, que entraram nas nossas vidas
de forma galopante e, com a qual, nos adaptamos até com bastante rapidez, consoante
os nossos interesses e necessidades.
Naturalmente que a nossa atenção prende-se com
as pessoas que conhecemos mais de perto e com a quais nos identificamos melhor,
seja através da cultura, religião entre inúmeros fatores que podem ir desde a
imigração, até à partilha do mesmo espaço geográfico. Como estamos e
pertencemos à Europa, ela sempre foi uma referência para nós, pois é uma realidade
que sempre nos trouxe muitas influências e com a qual de certa forma nos reconhecemos,
por haver alguns traços comuns. Porém, e como diz Ramos (2011), “A Europa não é uma realidade uniforme, nem se poderá falar em rigor, de
uma identidade europeia, mas de um mosaico de identidades, cuja diversidade
enriquece a ideia de Europa” (p.28). Na verdade, é esta a ideia que ficamos
quando falamos dos vários países que fazem parte da Europa e das suas
particularidades culturais, políticas, económicas e sociais.
No plano
educacional podemos identificar nos sistemas educativos europeus alguns traços
comuns, nomeadamente o crescente interesse pela educação pré-escolar, em que de
um modo global os poderes públicos investiram nesta área da educação para fazer
face “à procura social de instituições de acolhimento e prestação de cuidados
infantis” (Ramos, 2013, p.57); na escolaridade obrigatória são adotados os
mesmos objetivos, assim como, todos prolongaram o número de anos da
escolaridade obrigatória; a introdução de grandes áreas disciplinares com
especial tendência para as áreas tecnológicas no ensino secundário; a
flexibilização curricular e a descentralização dos programas curriculares (com
exceção de Inglaterra e o País de Gales que optou por um currículo nacional);
uma maior articulação, entre a formação geral e vocacional e a formação técnica,
com possibilidade de prosseguir estudos ao nível superior, os estudantes que
tinham optado pela área vocacional; medidas políticas de integração e inclusão
educativa com um ensino mais individualizado para colmatar as várias carências
sociais de analfabetismo; maior poder de decisão ao nível regional e local,
conferindo às escolas uma maior autonomia e aos pais de optarem pela colocação
dos filhos nas escolas da sua preferência; o surgimento dos parceiros sociais e
a repartição de poderes; a transferência de competências para as regiões, no
caso de Portugal, foram concedidas maiores competências às regiões autónomas da
Madeira e dos Açores; a modalidade de descentralização por desconcentração
regional, onde se assistia a uma certa transferência de competência e alguns
poderes de decisão ao nível regional, sendo que tudo estava sobre o controlo
administrativo nacional e a inclusão da sociedade na vida educativa das
escolas, mais precisamente a introdução de uma comissão de pais e encarregados
de educação, a participação das forças vivas da comunidade, nas atividades
escolares assim como, a escola também foi ao encontro da comunidade e
interagindo com ela de diferentes formas. Relativamente às medidas de
responsabilização e de prestação de contas, não existe uma medida única na
europa, porém, a avaliação sistémica em todos os níveis do sistema educativo
revelou uma tendência para se processar não apenas a avaliação dos alunos, mas
igualmente a avaliação do desempenho das escolas, como medida não apenas de
controlo do sistema educativo, mas também de regular e orientar as políticas
educativas. Por outro lado também se verificou no ensino obrigatório uma
vontade de incluir vários intervenientes extra escola, no processo de avaliação
do funcionamento da mesma, assim como, de manter a sociedade informada sobre os
resultados da avaliação do sistema educativo.
Bibliografia:
RAMOS, C. (2011). Os Sistemas Educativos da União Europeia.
Universidade Aberta.
Helena Furtado
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