domingo, 9 de novembro de 2014

TEMA I




MUTAÇÕES SOCIAIS E SISTEMAS EDUCATIVOS

                                                

Introdução

O acesso à Educação para todos, o combate à exclusão social, o ensino individualizado e a integração das novas tecnologias digitais na educação são alguns dos fatores que têm gerado nos sistemas educativos, a árdua tarefa de fazer respeitar e aceitar a diversidade entre os indivíduos e de proporcionar os meios necessários para uma cidadania plena, consciente dos seus deveres e direitos, num mundo cada vez mais global. Nas sociedades ditas do conhecimento, valorizou-se o conhecimento tecnológico, organizacional e científico como fatores determinantes para produzir riqueza e conduzir ao desenvolvimento dos países. Toda esta mudança e inovação tem a sua origem na educação e no sistema educativo e, como tal, a educação não pode, nem deve estar isolada da sociedade, pois ela representa um bem comum e insubstituível em qualquer sociedade.

Palavras-chave: Educação, Sistemas, tecnologias e inovação.


Nos dias de hoje, a palavra Globalização tornou-se um termo de utilização frequente, sendo normalmente associado à visão do mundo como um todo, em que todos os povos se conhecem e conseguem comunicar e sentirem-se mais próximos através das modernas tecnologias de informação e comunicação. Não é um fenómeno novo e os grandes impulsionadores deste processo foram certamente a Revolução Industrial e o Liberalismo Económico que possibilitaram o crescimento e desenvolvimento económico, científico e tecnológico. 
 Esta integração e homogeneização económica, social, política e cultural a nível mundial revelou ser, ao longo dos anos, uma experiência com grandes benefícios para o desenvolvimento global da grande maioria dos países Ocidentais e dos Estados Unidos, embora para os países mais pobres tenha contribuído para grandes desníveis de equidade.
Em Portugal, o atraso relativamente à educação em comparação com outros países ocidentais foi sempre bastante acentuado, o que explica as sucessivas reformas que foram tendo lugar no sistema educativo. O acesso universal e gratuito à educação de base, como forma de ultrapassar as necessidades prementes de desenvolvimento do país, foi uma das primeiras medidas educativas do poder central.

Embora o processo do ensino-aprendizagem tenha sofrido grandes e profundas alterações com a aprovação da Lei n.º 46/86, de 14 de Outubro (Lei de Bases do Sistema Educativo), com as alterações introduzidas pela Lei n.º 115/97, de 19 de Setembro e pela Lei n.º 49/2005, de 30 de Agosto, a educação continua a ser um campo inesgotável de mudança e evolução, necessitando sempre de reorganizar-se no sentido de acompanhar as transformações políticas, económicas, culturais e tecnológicas que se fazem sentir na sociedade. Os sistemas educativos acompanham inevitavelmente estas transformações sociais, pois a educação tem uma importância crucial na formação dos indivíduos e” todo o sistema educativo digno desse nome deve contribuir para o aperfeiçoamento moral dos indivíduos, em vista do bem geral da sociedade” (Ramos, 2011:p.16). Os sistemas educativos sendo “um conjunto de elementos ligados por um conjunto de relações” (Jacques Lesourne, apud Ramos, 2007), estão interligados à sociedade e concludentemente ao seu desenvolvimento político, social e tecnológico.
 O constante e galopante progresso tecnológico levou os sistemas educativos a integrar de forma gradual ao longo dos anos, as novas tecnologias nos vários contextos de ensino e aprendizagem, com o objetivo de diversificar, integrar e conduzir a ação educativa para um patamar de inovação e qualidade na sua intervenção e orientação pedagógica.
 Estas ferramentas digitais têm-se tornado um forte potencial didático, imprescindível no desenvolvimento integral dos indivíduos e da sociedade em geral, pois na sociedade atual, os desafios com os quais a sociedade do conhecimento se confronta, são sobretudo o de saber dominar e relacionar estas ferramentas como motores do seu próprio desenvolvimento intelectual. Contudo, e na opinião de Ramos (2007), os sistemas educativos necessitam de se adaptar à permanente mudança, assim como, saber utilizar/aplicar o potencial tecnológico com objetivos e práticas pedagógicas bem definidas, porém, com a flexibilidade necessária para um desenvolvimento harmonioso e uma aprendizagem ao longo da vida com a qualidade didática expectável com a qual a escola normalmente é identificada na sociedade.  
Conclusão
Na sociedade contemporânea, pais e encarregados de educação e as forças vivas da sociedade, devem cada vez mais participar de forma ativa nas atividades escolares para que em conjunto com o sistema educativo possam contribuir assim para uma relação de proximidade e cumplicidade futuras num mundo em mudança e inovação que se pretende alcançar com dignidade, competência, responsabilidade, criatividade, qualidade e satisfação.

Bibliografia consultada:
- Delors, Jacques (1996). Educação um Tesouro a Descobrir Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre a Educação para o Séc. XXI. Porto: Edições ASA.
- RAMOS, C. (2001). "Tendências evolutivas das sociedades contemporâneas", in Os processos de autonomia e descentralização à luz das teorias de regulação social: o caso das políticas públicas de Educação em Portugal (Tese de Doutoramento). Monte de Caparica: FCT/UNL. Disponível em http://hdl.handle.net/10362/1009.
- Ramos, C. (2007). Aspectos contextuais dos Sistemas Educativos. Lisboa: Universidade Aberta.
- Ramos, C. (2007). Sobre o conceito de "Sistema". Lisboa: Universidade Aberta.
- Ramos, Conceição C. (2011). Os sistemas Educativos da União Europeia. Universidade Aberta


Referências on line:
 Helena Furtado 
08/11/2014

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